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Felicidade estrangeira

Publicado em 19 de setembro de 2015 às 14:12:25

Por incrível que pareça temos o hábito de acreditar que a felicidade é algo estrangeiro, ou seja, algo que vem de esse ou de aquele lugar ou por isso ou por aquilo. Mas a verdade é que tais sentimentos nunca perduram e são instáveis, frágeis. Por quê?


Enquanto estivermos a procurar fora de nós o estar bem, sempre haveremos de estar na eterna busca. Não há lógica nem ao menos em pensar que a completude de alguém e nem seu bem-estar esteja de alguma forma fora de aquela pessoa. Tal coisa seria no mínimo injusto pois sempre estaríamos a merce de algo ou alguma coisa. Condenados à dependência eterna. Se é algo estranho até ao pensamento é sinal de que é algo insano, inconcebível e inatural.


O que acontece a aqueles que tem a coragem de olhar para dentro de si mesmos e procurar aquilo que ali esteja, não importa o quê, apenas procurar algo sem forma ou identidade? Começam a ficar estranhos. Isso mesmo! Começam a se sentir bem mesmo que não haja motivos para isso ao redor deles. As pessoas veem aquilo como algo estranho, mas a verdade é que estão a encontrar eles mesmos e seu poder pessoal, ou seja, o poder de estar bem e equilibrado. Estão a perceber que há muito mais do que biologia dentro de si mesmos.


"- Foda-se! Eu não acredito nisso!" Esse poderia ser o nosso comportamento e isso é lindo. É lindo a capacidade de acreditar ou não nas coisas e nada fazer. Mas também é lindo deixar o conhecido e usual olhar para fora e procurar fora e dar uma espiadela dentro de si mesmo. Não há nenhum bicho-papão ali não. Bem, na verdade, há sim, todos os nossos bichos-papões estão ali dentro. Estão a bagunçar nossa realidade. Nós os criamos e os colocamos lá. Mas ali também se encontra a nossa verdadeira essência que completa é em si mesma. Quanto mais nós a tocamos, mais e mais independentes e bem nos sentimos. Como é que isso pode ser algo ruim se o bem-estar é algo real e palpável dia após dia?


Até quando acreditaremos que o nosso bem-estar, que é um sentimento interno, possa de alguma forma vir de fora?


Até quando teremos o sentimento mesquinho e desamoroso de pensar que alguém deveria abandonar a si mesmo e se ocupar do nosso bem-estar? Isso não é amor de forma alguma. Não é amar a si mesmo e muito menos os outros. Por quê não deixar o amor fluir em nós? O que aconteceria de ruim? A resposta a esta pergunta está nas profundezas de nossos corações e para escutá-la tem que ter coragem de amar a si mesmo e ao mundo e tão somente isso.

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