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Nós temos o que merecemos?

Publicado em 03 de fevereiro de 2012 às 22:59:21

Quantas vezes ouvimos: “Ele(a) teve o que merece”, “Nós temos o que merecemos”. Até onde isso é verdade?


Definitivamente isso não é verdade. Visto que nós merecemos tudo, absolutamente tudo de bom no universo. Todos merecem tudo. Então por quê não temos tudo o que somos merecedores de direito? É porque nós temos escolha, podemos escolher ter uma vida suave e abundante e uma vida conflitante e escassa. Mas nós sempre escolhemos a segunda opção. Até aqueles que são ricos escolhem a segunda opção. Mas como? Pode se ter dinheiro e ainda sim ter uma vida escassa e conflitante.


Escassa de quê? A escassez pode ser no âmbito da saúde, da amizade, da felicidade, tranquilidade, dinheiro. Pode se dizer que existem milhões de pessoas que estão em um estado de rica pobreza. Tem-se todo o dinheiro que se podeira querer, mas lhes faltam o essencial, a realização pessoal.


O que vem a ser realização pessoal?


Realização pessoal não tem nada a ver com profissão ou a vida amorosa convencional. A verdadeira realização pessoal se dá quando nós começamos a nos lembrar quem nós somos e o que são os outros. Isso é o retorno à integridade. Não confundamos integridade com o ser honesto e ético. Íntegro é o estado de não se dividir, de não se separar, de não se separar as coisas ou fatos, é enxergar tudo com o olhar uno, é saber que tudo, absolutamente tudo é unidade. Quando se começa a ver o mundo por este prisma, nós estamos a caminhar rumo a integridade e, por conseguinte, rumo a realização pessoal.


Um ser realizado não sofre, não entra em conflito com nada e ninguém, não enxerga nada além de si mesmo em tudo o que vê, é se ver em tudo o que se observa.


Temos o que merecemos? Em verdade sim. Pois aquilo que merecemos já é nosso, no entanto, nós não materializamos o que merecemos e sim o que escolhemos. Mas muitas vezes poderíamos dizer: “Mas eu quero coisas boas!”, “Eu quero uma vida melhor!”, “Eu quero!”. Em primeira instância, o “querer” nos separa do  que almejamos. Loucura? Não. Se estamos a querer algo, então, subentende-se que aquilo que estamos a querer não é nosso. Logo, ele continuará a parecer que não é nosso. Se não se pode querer, como é que eu faço para “ter” algo? Aqui está a chave, “ter”, se almejamos algo, temos que aprender a nos ver como possuidores de aquilo que almejamos.


Dá para se notar que, ao olhar por esta perspectiva, entende-se que a vida é eterna gratidão. Ou seja, ser grato pelo que se tem e também ser grato pelo que aparentemente não se tem. Ao se fazer isso, o que aparentemente não se tem, se faz presente.


Se formos observar o mundo, nota-se que as pessoas que estão sempre a reclamar, encontram sempre mais motivos para reclamar. Por quê? Porque é nisso que ela foca a sua energia, na reclamação de algo, alguma coisa ou alguém. E quando colocamos nossa energia nisso, aquilo do qual nós estamos a reclamar, aumenta sempre, não há exceção. Bom seria se colocarmos nossa energia naquilo que nos agrada e não no que não nos agrada. Reclamar é demonstrar o nosso desprazer diante da vida, é estar em desequilíbrio diante da vida. A vida nos dá tudo, absolutamente tudo, se nós temos costume de reclamar de tudo e de todos, a vida entende que é isso que queremos. Ou seja, o espaço chamado vida, o qual  também o somos, nós dá incondicionalmente tudo, absolutamente tudo no qual nós depositamos nossa atenção. Sempre foi assim e assim será, quer acreditamos ou não.


Um certo sábio uma vez disse: “Tudo me foi dado nos céus e na terra”. Ao se traduzir essas palavras para um linguajar simples temos: Eu sou abundância, eu não reconheço carência, eu não reconheço privações.


Outra vez um sábio disse: “Tudo aquilo que pedirdes sem duvidar, far-se-á”. O que vem a ser isso? Como eu peço? Nós pedimos algo, ao observar algo, tudo aquilo que nós observamos e pensamos nós estamos a pedir. Tudo, absolutamente tudo, não há exceções. Como duvidar? Duvidar é acreditar não ter, é olhar para falta e tê-la como verdade, isso é duvidar.


Temos o que merecemos? Sim temos o que merecemos, pois tudo nos foi dado. Apenas não manifestamos tudo o que temos e, muitas vezes, quando mergulhamos na simplicidade a insaciês do ego, ou seja, o querer sempre mais por se sentir incompleto, não se faz presente e manifestamos apenas o necessário para o agora.


Tudo é nosso, portanto, não há porque se apossar das coisas, apossar é medo de não ter. Sejamos íntegros, plenos.

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