O que as pedras estão a dizer?
Publicado em 15 de junho de 2012 às 05:37:33
O mover faz parte do nosso dia a dia. É impossível não se movimentar. Até mesmo quando pensamos estar parados estamos a nos movimentar em dimensões. Isso mesmo, cada sentimento, cada pensamento, cada emoções são dimensões. Há aqueles que vivem na dimensão da tristeza, outros preferem a dimensão do amor. Não há o que julgar aqui, afinal temos liberdade para nos mover entre as dimensões. O estar parado é uma impossibilidade universal, cósmica.
No mundo relativo, muitos dos nossos movimentos e, porque não dizer, todos os nossos movimentos se apoiam na objetividade. No entanto, o mundo objetivo não nos acrescenta nada. Pelo contrário, o mundo objetivo tenta atrair a nossa atenção a todo tempo. Mas dar atenção ao que é objetivo é mergulhar-se em uma vida onde a plenitude é apenas utopia. Cadê o amor?
Ao perambular na objetividade sempre carrega-se consigo mesmo um sentimento de que falta algo, o sentimento de se sentir incompleto. Busca-se a todo custo o completar-se a si na própria objetividade. Mas a objetividade não tem nada a nos oferecer. Nela encontramos somente ruídos do desejo. A objetividade e o desejo sempre andam de braços dados. Eles se alimentam mutuamente, um não pode viver sem o outro.
Há de se tomar alguma providência e a providência a ser tomada é escutar aquilo que não faz ruído mesmo que produza algum som. Tal como as pedras. Poderiam achar estranho escutar uma pedra. O que tem uma pedra a nos dizer? O conhecimento que uma pedra encerra em si vai muito além do conhecimento humano. Observe uma pedra. Ela está em si mesma. Não tenta ser nada e nem ninguém e nem mesmo não quer estar onde está. Por si mesma não provoca ruídos, mas se movimentada produz sons. Ela repousa no silêncio, na calma. Observá-la é fazer uma conexão com ela. É fazer uma conexão com aquela calma, aquele silêncio. Essa calma e esse silêncio toma conta de aquele que observa. Mas isso só é possível pois a pedra está apenas a nos mostrar o nossa calma e nosso silêncio. Ela quer nos lembrar quem nós somos. Não só ela como toda a natureza em si quer que nos lembremos que nós habitamos nessa calma. É lá onde se encontra todos os tesouros que temos procurado no mundo objetivo. Aquela coisa que falta, a solução para o estar incompleto está lá. Há uma sinfonia a ser tocada nesse silêncio, nessa calma. Essa sinfonia se chama amor, vida. Uma a sinfonia que nunca tem fim pois começo não teve e portanto não continua. Ela simplesmente é. Ela está no agora. Mergulhar nesse espaço é começar a entrar em um mundo novo onde o impossível é uma impossibilidade. É dar permissão para que o amor se faça presente e flua através de nós. Se bem que se o amor estivesse realmente ausente, não se teria nada, pois tudo é gerado e se move no não espaço chamado amor.
Escutar o natural é amar a si mesmo. É dar a si mesmo um pouco de si e se apaixonar pelo o que somos em essência. Abandonar os ruídos mentais e escutar o natural é a porta para a realização pessoal. Aqui não cabe dúvidas e muito menos medo.