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Ajudar atrapalha

Publicado em 21 de junho de 2012 às 09:31:30

O humano tem por hábito querer ajudar. Ajudar a fazer algo tudo bem, desde que seja de coração. Conselhos só são válidos se nós não dissermos a alguém o que ela deveria fazer e, ao invés disso, apontarmos a pessoa onde encontrar a resposta. Sermões não ajudam em nada, não passa de julgamento, é julgar com falha o que o outro tem feito, isso é falta de amor.


Quando se trata de vida ajuda sempre atrapalha pois tentamos fazer com que o outro aja a nosso modo ou de um modo preestabelecido e estandardizado pela sociedade em que ele está imerso. Mas não existe um manual vivencial que funcione para todos. Cada um age a seu modo.


Ao tentar ajudar aquém a fazer uma escolha, na verdade estamos a dizer a ele que escolha aquilo que escolheríamos. Mas quem disse que aquilo que é bom para nós, ou melhor pensamos ser bom para nós, é bom para o outro? Somos um e a mesma coisa isso é certo, mas temos a nossa individualidade. Não há como saber o que é bom para o outro. A vida é dele, o coração é dele. Como saber o que se passa em seu coração? Como saber o que está alinhado com sua essência? Cada um é cada um. Isso é atrapalhar e não ajudar. É fazer o outro ainda mais infeliz pois ele não estará a seguir o próprio coração, pelo contrário, está a fazer as nossas escolhas e não as escolhas dele. Isso é trair a si mesmo e todo aquele que trai a si mesmo sofre.


Se queremos realmente ajudar há de se tomar a postura da não interferência. Ajudar é interferir. Não estou a dizer que não se deve ajudar alguém a atravessar a rua ou a fazer algo. Ajudar é ótimo, mas não a faça atravessar a rua a seu modo ou a faça fazer as coisas a seu modo. Isso é falta de respeito, é desamor, é violência para com o outro. Todo mundo tem seu ritmo, todo mundo tem seu modo. Se a pessoa quiser um modo mais rápido e seguro de fazer algo, ajude-o.


Ao tomar a postura da não interferência nós não cortamos relações com as pessoas. Simplesmente não mais metemos o bedelho nas escolhas delas sejam elas quais forem. Isso é deixar que o outro se mova por si só de acordo com a sua consciência. Isso é amor. Na maioria das vezes, ajudar é falta de amor.


Se quisermos realmente ajudar, ocupemo-nos de nós mesmos e não mais nos atentemos ao modo como o outro faz as escolhas deles. Isso é com ele. Não temos nada a ver com isso. Ele está a tentar a seu modo e isso deve ser honrado, precisa ser honrado. Deixemos ele viver a vida e vivamos a nossa.


A ajuda só é ajuda quando não interfere.

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